Registro de observações
As observações das aulas de inglês nas salas de aula foram divididas em duas categorias: observações no ensino fundamental I e ensino médio. As análises são fundamentadas segundo os aspectos requisitados pelo orientador e aspectos adicionados no decorrer das observações.
DIFERENÇAS ENTRE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
O primeiro aspecto a ser observado foi a distinção da abordagem utilizada para crianças e adolescentes. É possível perceber que a repetição é uma grande aliada quando está ensinando um novo idioma; o ato de praticar uma língua leva à familiarização da mesma. No entanto, é perceptível a diferença da frequência da utilização desse recurso. As aulas voltadas para crianças, tendem a repetir diversas vezes o mesmo assunto para que fique claro e firme-se de maneira eficaz. Nos vídeos dedicados à aprendizagem infantil, podemos notar o quanto alguns pontos importantes são repetidos.Outro ponto observado, fortemente fundamentado pela teoria cognitiva de Piaget, é a diferença da participação entre crianças e adolescentes. Enquanto as crianças tendem a dar mais palpites, sem muita preocupação em estarem certos ou errados, os adolescentes costumam evitar tal atividade. Segundo Piaget, há um certo período onde o adolescente se sente menos apto a participar de episódios que podem o envergonhar, portanto, passam a ver a chance de errar como uma abertura à impressões erradas de outros colegas.
FREQUÊNCIA DA UTILIZAÇÃO DO INGLÊS
No ensino fundamental 1, a frequência do inglês costuma ser alta, tentando ao máximo incluir novas palavras ao vocabulário das crianças em uma tentativa de as familiarizar desde cedo. Por estarem passando por uma aprendizagem implícita, a criança não parece prestar tanta atenção na mudança repentina do idioma e apenas tenta seguir o ritmo do professor.Já no ensino médio, o uso do inglês pelos alunos parece decair; não há interações na segunda língua entre alunos. Mesmo com o professor induzindo ao uso do inglês, os alunos não parecem se dedicar tanto à utilização quando não são requisitados.
RECURSOS UTILIZADOS
A música foi uma grande auxiliar em ambas as classes, podendo ser usadas de diferentes formas para treinar diversos aspectos. Com a utilização de músicas já conhecidas, os alunos não mostravam dificuldades em seguir o objetivo das atividades.O livro didático teve maior participação no ensino médio, sendo utilizado em muitas aulas como um ponto crucial para o andamento da mesma. Além da atenção dada às questões promovidas pelo livro, os textos serviam como uma grande ajuda para praticar o reading e, logo depois, a interpretação.Recursos visuais foram de extrema utilidade para crianças. É possível perceber o quanto a questão visual desempenha um papel importante não só na aquisição da segunda língua, mas também em outros campos de estudo infantil.
COMPORTAMENTO ENTRE ALUNOS
É perceptível que a interação na segunda língua entre crianças tende a ser maior que entre adolescentes – o que apoia o fator anteriormente mencionado no que diz respeito ao medo do erro, que pode culminar em piadas e impressões errôneas.No entanto, adolescentes costumam ajudar um ao outro na resolução de atividades. O uso coletivo de recursos que ajudavam na tradução foi repetido diversas vezes, com as resposta sendo sempre compartilhadas entre a turma. Além disso, por conta do consumo do inglês nas redes sociais, que aumenta cada dia mais, os alunos pareciam estar mais confortáveis do que antes era percebido nas salas de aulas nos anos anteriores.O professor também apontou para o fato das aulas estarem acontecendo em uma situação pós-pandemia e a diferença que ele observou. Segundo o mesmo, os estudantes parecem mais eufóricos e pouca atenção consegue ser investida nas aulas. Essa situação atual pode, facilmente, servir de suporte para estudos recentes voltados para o attention span que adolescentes vêm apresentando. De acordo com especialistas, o consumo constante de vídeos curtos – como TikToks, Reels, Shorts etc. – contribui para o encurtamento do tempo de atenção. Tendo isso como base, é possível entender porque os alunos parecem cada vez mais dispersos, mostrando-se incapazes de acompanhar o ritmo da aula por um longo período.
COMPORTAMENTO ENTRE ALUNOS E PROFESSOR
A abordagem utilizada pelos professores para lidar com as crianças, aproxima-se de algo como a Lei do Efeito, criada por Thorndike. Com esse método, funcionando do mesmo jeito que outras abordagens behavioristas, o professor tende a controlar o comportamento da criança com respostas específicas para diferentes atitude que o aluno mostra em sala de aula: após apresentar uma resposta correta a um questionário, o professor parabeniza o aluno, o induzindo a continuar com tal comportamento; ao desobedecer ordens impostas pela instituição, o professor pune o aluno, o que posteriormente vai fazê-lo evitar repetir a atitude passada. Com essa metodologia, o professor assume controle total da aula e até mesmo passa a ter influência sob os alunos.Já na sala do ensino médio, em poucos dias de observação, pude perceber que a abordagem utilizada pelo professor se aproxima muito mais da metodologia que Rogers sugeria. O jeito empático do orientador fazia com que os alunos se sentissem confortáveis para tirar dúvidas ou até mesmo propor outros tipos de materiais. Por outro lado, o professor parecia ter pouco controle sob a turma; os alunos constantemente encontravam-se dispersos e desinteressados, mostrando pouca participação e muitas vezes não cumprindo com atividades propostas em sala. Esse último ponto acaba sendo o motivo pelo qual as teorias humanistas são criticadas. Descer completamente ao nível do aluno também significa perder boa parte da autoridade que é necessária para conduzir uma aula.
AULA 01
Na primeira aula observada no 1º ano do ensino fundamental 1, presenciei a utilização de recursos visuais para a apresentação de assuntos básicos. Foi entregue aos alunos uma atividade referente à numeração, treinando a memorização dos números.

AULA 02
Ainda enfatizando a numeração, o professor utilizou o recurso musical para melhor memorização dos números e sua ordem. A atividade se mostrou uma grande aliada, já que a melodia era familiar devido à versão da música na língua vernácula dos alunos, fazendo com que os mesmo não mostrassem dificuldade para acompanhar.

AULA 03
No terceiro dia de observação, em uma tentativa de fixar também a forma escrita dos números, foi apresentada uma terceira atividade com a finalidade de concretizar um conhecimento mais avançado por meio do writing.

AULA 04
Na quarta aula, foi feita uma revisão, além da utilização de um vídeo com o intuito de ensinar a ordem dos número em inglês. É possível perceber a repetição de um assunto para que seja possível a estabilização do mesmo em crianças. Além disso, os alunos demonstravam grande vontade de participação nas aulas, respondendo perguntas sempre que podiam e tirando dúvidas.
AULA 05
Na última aula observada, o crescimento do vocabulário foi o principal intuito. Além de perguntas corriqueiras sobre o nome de diversos objetos encontrados na sala de aula na língua inglesa, foi passado uma atividade que seguia um caminho parecido. A participação dos alunos foi grande, muitas vezes fazendo perguntas ao professor referente ao nome de outros objeto não mencionados pelo mesmo.

AULA 01 e 02
No primeiro dia de observação na turma do 3º ano do ensino médio, pude presenciar a utilização do recurso musical para enfatizar a prática não só do listening, mas também do writing e translating. Além da música em si, foi entregue aos aluno um papel contendo a letra da canção com espaços em branco dentre os versos. Nessa atividade, os alunos teriam de ouvir a música e tentar completar os espaços vazios com opções que lhes eram dadas de acordo com a letra que escutavam.Após repetir algumas vezes a música, os alunos conseguiram completar a atividade com ajuda do professor, que os concedia uma abordagem empática – tal qual nos métodos de Rogers. O professor demonstrou preocupação quanto ao ritmo dos alunos, checando se estavam no mesmo que o seu, além de se prestar ouvidos à sugestões para outras músicas que os alunos mostravam interesse.
AULA 03 e 04
O recurso utilizado na segunda aula foi primordialmente o livro didático. Foi requisitado que os alunos lessem textos propostos pelo livro e respondessem perguntas que os seguiam. Diferente da aula anterior, os alunos não obtiveram ajuda constante do professor e foi apenas indicado que prestassem atenção aos detalhes nos textos para que isso os ajudassem na execução da atividade. A correção foi feita posteriormente pelo professor e sala em conjunto; as dúvidas foram feitas e tiradas em português.No decorrer da realização do exercício, a turma se mostrou pouco atenta e desinteressada. Foram usados recursos como o Google Translate e respostas foram compartilhadas entre os alunos.
AULA 05 e 06
No terceiro dia, as aulas foram focadas em correções e revisões de assuntos passados até o determinado momento. Como já esperado, por serem aulas que requisitavam menos atenção, os alunos mostraram-se mais desatentos. No entanto, o inglês foi fortemente praticado devido à necessidade do uso do mesmo para auxiliar na correção.Na revisão de conteúdo, os alunos pareciam mais confiantes em responder perguntas feitas pelo professor do que demonstraram em aulas passadas.
AULA 07 e 08
No quarto dia observado, foi apresentado à turma um novo assunto: direct and indirect speech. Os recursos utilizados na aula foram o livro didático e o CD que o acompanha. Novamente treinando o listening, os alunos conseguiam acompanhar os diálogos enquanto percebiam a diferença dos aspectos utilizados em cada tipo de discurso. Em seguida, o professor elaborou uma tabela diferenciando os verbos quando usados no direct e indirect speech. Para finalizar, os alunos resolveram algumas questões sugeridas no livro.Durante a aula, foi analisado mais uma vez a dispersão dos alunos em relação à explicação. Maior parte da exibição do assunto foi feita em inglês, usando o português como um auxiliar. No entanto, pouca utilização do inglês por parte dos alunos.
AULA 09 e 10
No quinto e último dia, para melhor fixação do assunto, foi utilizado um vídeo curto, diferenciando os verbos quando usados no direct ou indirect speech.
Após o vídeo, foi pedido para que os alunos respondessem à questões parecidas com as que foram apresentadas no vídeo.Novamente focando na correção, a última aula resumiu-se na revisão da atividade anteriormente passada. É possível notar que quando um assunto é recém revisado, a execução de atividades flui de forma mais rápida. A utilização de recursos tradutores foi menor do que nas situações antecedentes e a memorização da estrutura requisitada parecia estar mais firme.